segunda-feira, 18 de julho de 2016

Quanto Vale?

A tragédia do rompimento da barragem do Fundão, na cidade de Mariana/MG aconteceu em 05/11/2015, dias após nosso retorno a uma viagem deliciosa até Inhotim.

Ficamos tentados a visitar Ouro Preto e Mariana na ocasião, mas o tempo foi curto e ficamos de retornar em um futuro próximo.

Retornamos em 05/06/2016, fomos então conhecer a belíssima Ouro Preto, cidade de conjunto arquitetônico maravilho e patrimônio da humanidade, merecidamente.

Por ironia da situação, a Vale, gigante das mineradoras, é a patrocinadora do projeto do Trem da Vale, ou seja, mantém um trem que faz o percurso Ouro Preto/Mariana e vice e versa, levando turistas para desfrutarem as maravilhas das duas cidades.

O passeio é muito agradável, o trecho da ferrovia nos brinda com paisagens magníficas, que para os amantes de história é uma aula a céu aberto.

Em Mariana fomos abatidos pela notícia de que nosso bairro sofrera muito com a passagem de um tornado ou uma micro explosão, já que os especialistas não se acertaram sobre o fenômeno.

Com isso nosso dia em Mariana foi afetado e não desfrutamos plenamente de suas maravilhas, mas mesmo assim indagamos sobre a tragédia e sobre a possibilidade de visitar a região mais afetada.

O distrito de Bento Rodrigues fica distante da cidade de Mariana e mesmo dos pontos mais altos a cidade, não foi possível avistar o rastro de destruição deixado pelo rompimento, mas foi possível sentir no ar a tristeza de seus moradores.

Lamentei não poder ver de perto o rastro de destruição, não porque goste de destruição, mas porque o impacto da imagem vista in locu é incomparável.

Fui informada que para visitar a área afetada é preciso agendar com a Defesa Civil, já que o roteiro tornou-se turístico!!!

Impossível encaixar tal agendamento no nosso roteiro de viagem!!! De toda forma, não saiu da minha cabeça essa tragédia e ainda tenho muita curiosidade de ver de perto seu rastro.

Para minha surpresa, na edição de julho da revista Piauí, a qual sou assinante, trouxe duas matérias muito boas sobre o assunto e confesso que chorei durante grande parte da sua leitura, ao ler relatos dos personagens da vida real.

* Foto: Cristiano Mascaro e Pedro Mascaro, edição 118 Revista Piauí

Chorei de tristeza pelo desespero daquelas pessoas, chorei de tristeza pela falta de responsabilidade da proprietária da barragem por não prever que um acidente dessa magnitude pudesse acontecer, chorei por saber que não existia e não existe nenhum plano de contingência para o rompimento de barragens de rejeitos, chorei pela falta de atitude dos dirigentes da Samarco, chorei pela tragédia ambiental no Rio Doce, simplesmente chorei de tristeza por ser brasileira!!!

Impensável saber que os exploradores econômicos da extração mineral não se preocupam de fato com o meio ambiente e muito menos com o impacto de suas atividades na população do entorno.

Na mesma viagem tivemos a oportunidade de ir conhecer Belo Vale, uma cidade que o nome a define perfeitamente, mas que  me causou um pavor tremendo ao ver os impactos da extração de minérios.



As montanhas verdes são consumidas com escavações, tornando-se gigantescos buracos cinza, marrom, cor de sujeira, sem vida, lembrando aqueles filmes de guerra, com grandes áreas devastadas.


 
Belo Vale ainda está segura, mas a pressão das mineradoras para explorar as suas montanhas é gigantesca e sabemos que as autoridades políticas não se importam com o bem estar da população, mas apenas com o jogo político corrupto do ganha-ganha.

Lamentei por Belo Vale, lamentei por aquela paisagem que nada deve às paisagens européias, lamentei por saber que a força do homem será maior que a da natureza e que corremos o sério risco daquele lugar se transformar completamente.

As classes dominantes brasileiras têm muito a aprender e a sofrer, não necessariamente nessa mesma ordem, pelas ações e comportamentos que praticam

O eleitor brasileiro igualmente tem muito a aprender e a sofrer pelas escolhas que faz.

O planeta Terra sobreviverá sem o ser humano, mas o ser humano não sobreviverá sem o planeta Terra, mas pensar nisso pra quê?! Vamos aproveitar ao máximo, no futuro não estaremos aqui para vivenciar a degradação?!

Enquanto isso, as áreas e as pessoas afetadas pela tragédia esperam as tão prometidas providências para a restauração da vida, mas enquanto isso, as autoridades e as classes dominantes vivem sua vidinha frugal do jogo do poder...


Um comentário:

  1. Belo texto! Hoje o sofrimento por Brumadinho deve ser ainda maior. Pena que em nosso país se faz tudo por dinheiro, mesmo que custe a vida de dezenas de pessoas.

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