segunda-feira, 27 de abril de 2015

Viajando de Moto

As pessoas sempre me perguntam como é fazer uma viagem de moto e sempre respondo que é muito legal e divertido.

"E o secador de cabelos? ". Ora, para isso existem os hotéis, escolha um bacana que certamente terá esse item.

" A maquiagem não derrete na mala?". Vamos combinar que passar o dia com a cabeça dentro do capacete não requer muita maquiagem, logo para que levar um kit muito numeroso? 

"Não cansa?". Lógico que cansa, mas ficar dentro de um avião por 8h cansa tanto quanto e ainda não se é possível apreciar tanto a paisagem, parar para um pit stop e fazer umas fotos maneiras.

Agora a pergunta campeã é "como você faz com as malas?". Confesso que não entendo muito essa histeria por causa das malas, é a mesma coisa que em qualquer outra viagem.

O ponto fundamental de qualquer bom viageiro, independente do meio de transporte, é o bom senso em relação a quantidade de coisas que vai levar.

De moto não basta bom senso, é preciso exercitar o desapego. 

Seria muito interessante para o futuro sustentável do planeta que todas as pessoas fizessem viagens de moto, com isso aprenderiam que não é preciso levar muita coisa para viajar.

Pode puxar pela memória que em toda viagem que você faz com aquelas malas gigantes, você não usa mais de 50% do que levou.

Não precisa ser muito esperto para entender que se não usou, não deveria ter levado.

Não me venha com a velha máxima "mas se eu precisar e não tiver levado?". Você não vai precisar, aceite com humildade de que precisamos de muito pouco para viver.

E se eventualmente for imprescindível algum item que você não levou, compre, mas só se realmente não conseguir seguir viagem sem o item.

Mulher, via de regra, tem mania de levar trocentos sapatos para viajar. Caia na real, adeque seus calçados ao tipo de lugar e clima que encontrará, com isso para uma viagem de até 15 dias você provavelmente precisará de apenas 3 pares para situações diferentes.

É preciso lembrar que em férias o que se quer é conforto, então não invente moda, levando montanhas de roupas que não combinam entre si, que precisam de acessórios diferentes e coisas do tipo.

Prepare suas roupas com base no tipo de passeio que fará, com isso você pode escolher 2 cores para serem o centro das atenções e combinar todo o vestuário entre si, sem que se tenha a sensação da repetição de roupas.

Outra coisa é escolher tecidos que não amassam muito e fáceis de lavar/secar, se precisar lave a noite e de manhã estará seco.

Bom, tudo isso para dizer que dá para ser muito feliz viajando de moto e com pouca bagagem e muita experiência para viver, lembrar e contar.

Pratique o desapego e viva mais e melhor.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Tiradentes: O Mártir da Inconfidência Mineira

As tradições e história do Brasil estão se perdendo com o tempo e muitos apenas pensam no feriado como data para descanso e curtição, esquecendo-se que em 21 de abril comemora-se o dia de Tiradentes.

Joaquim José da Silva Xavier,  o Tiradentes, nasceu na Fazenda do Pombal, localizada entre as cidades de Tiradentes e São João Del Rei, no ano de 1746 e tornou-se mártir do movimento da Inconfidência Mineira, para proteger seus amigos, assumindo toda a responsabilidade.

No final do século XVIII o Brasil atravessava uma grave crise política, com a insatisfação crescente da população pela cobrança excessiva de impostos e a exploração da mão-de-obra local, bem como dos recursos naturais, com a extração predatória de ouro e diamantes.

Com o ideal de liberdade, o movimento pretendia a ruptura com a monarquia portuguesa, que não media esforços para extrair o máximo possível de ouro e pedras preciosas e abocanhava em impostos a quinta parte de tudo que era extraído, por isso o quinto.

Cansados dessa exploração os mineiros começaram a sonegar o quinto, contrabandeando ouro e pedras, escondendo da coroa portuguesa uma parte da obtenção dos recursos naturais.

O movimento foi ganhando força e adeptos, difundindo o ideal da autonomia da província, objetivando conseguirem um governo republicano com mandato de Tomás Antônio Gonzaga, tornarem São João Del Rei a capital,  conseguirem a libertação dos escravos nascidos no Brasil, chegando à implantação da primeira universidade da região, etc.

Os ventos da inconfidência sopravam fortes e atingiram a coroa portuguesa, que não poupou esforços para exterminar os inconfidentes.

O imperador português decretou a prisão dos inconfidentes, que logo foram identificados, mas o mártir acabou sendo Tiradentes, que para proteger seus amigos da punição, assumiu toda a responsabilidade pelo movimento e foi o único condenado à morte efetivamente executado.

Para mostrar sua força e métodos, o governo inflingiu ao Tiradentes mais do que a condenação capital, mas o flagelo de percorrer todo o trajeto até a cadeia pública, onde foi enforcado após a leitura de sua sentença e teve seu corpo esquartejado e espalhado pelos postes das ruas de Minas Gerais.

A demonstração de poder teve como intuito mostrar não apenas o sofrimento de Tiradentes, mas servir de exemplo à população, a fim de inibir movimentos semelhantes contra a coroa portuguesa.

No entanto o tiro saiu pela colatra, como diz o ditado popular, Tiradentes tornou-se mártir não apenas da Inconfidência Mineira, mas foi o símbolo de luta contra a monarquia, sendo adotado pelo movimento republicano como mártir cívico-religioso  e antimonarquista.

Apenas em 1890, já no Brasil República, que a data foi reconhecida como feriado nacional, mas a mancha histórica da sua condenação permanece.

Com o intuito de recuperar a importância da data e do mártir nacional, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro fará no dia 21 de abril um novo julgamento simbólico de Tiradentes, resultando com seu desenforcamento e desquartejamento.

Será um reparo histórico a encenação teatral do tribunal do juri "O desenforcamento de Tiradentes: Justiça ainda que tardia".

O evento foi idealizado pelo professor, historiador e escritor Joel Rufino, diretor-geral de Comunicação e Difusão do Conhecimento do TJ. De acordo com Ruffino, a intenção é "atualizar, para 2015, a luta e o sacrifício do Tiradentes. os queremos propor uma reflexão sobre temas que eram discutidos na época e trazê-los para os dias atuais: liberdade, justiça, dominação estrangeira, abuso fiscal".

O professor acrescenta, ainda, "a classe social ao qual Joaquim José da Silva Xavier pertencia - ele era uma espécie de sargento de polícia - pode ter contribuído para que sua sentença tivesse mais dura do que a dos demais inconfidentes. eles foram condenados à morte, mas suas penas foram comutadas em chibatadas e degredos para África."


Um feriado é sempre bom, mas um como esse, cheio de simbolismos e patriotismo deveria ser lembrado e comemorado verdadeiramente pelo povo brasileiro, ainda mais com temas tão atuais que ainda permeiam a sociedade e a política brasileiras.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Chacrinha O Musical

Como foram de Páscoa? Muitos chocolates?

Euzinha, que curto mais uma boa programação cultural do que chocolate, aproveitei o feriado e a quietude que que paira em São Paulo e fui prestigiar "Chacrinha O Musical", que está em cartaz até 26 de julho, no teatro Alfa.

Belíssimo espetáculo, com figurinos impecáveis, cenário perfeito, fazendo o espectador se sentir no programa do Chacrinha como se fosse seu auditório.

Que a história e a trajetória do Chacrinha são interessantes não restam dúvidas, mas ver isso tudo traduzido para a linguagem teatral é uma delícia.

Pedro Bial e Rodrigo Nogueira cumpriram muito bem a missão na escrita do texto e a direção e arranjos musicais de Delia Fischer acompanharam igualmente, dando um toque de maestria ao espetáculo.

Os atores Leo Bahia e Stepan Nercessian dão vida ao personagem principal em duas diferentes fases da sua tão bem vivida vida, o primeiro é Abelardo Barbosa "está com tudo e não está prosa" e o segundo é o Chacrinha, consagrado em seus programas de televisão, atingindo o auge do sucesso na Rede Globo.

As Chacretes são um espetáculo à parte, dando vida e brilho ao programa do Chacrinha ao vivo, encenado para a plateia, que por algumas horas se transforma no auditório do Chacrinha.

O espetáculo é interativo, ou seja, algumas pessoas da plateia podem participar, imprimindo sua marca ao show.

Além de tudo isso, há, ainda, todo o contexto político e econômico do interior de Pernambuco, na cidade natal de Abelardo Barbosa e  as agruras da ditadura militar, retratados de forma lúdica, mas incisiva.

Uma boa dica cultural para quem gosta do gênero musical, programe-se e vá viver essa experiência de fazer parte do auditório do programa do Chacrinha.

Vai para o trono ou não vai?!

Para maiores informações clique aqui.

Para ver mais fotos do evento nas redes sociais #chacrinhaomusical

*Foto divulgação site Teatro Alfa