sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Em Cartaz "No Exit - Entre Quatro Paredes"

Quem gosta de filosofia e teatro tem uma excelente oportunidade nesse fim de semana, está em cartaz no Teatro Liceu, em Campinas/SP, a peça "No Exit - Entre Quatro Paredes", com a direção de Caco Ciocler e com Chris Couto, Sabrina Greve, José Geraldo Junior e Ando Camargo no elenco.

A trama já é conhecida há muito tempo, quem não se lembra da célebre frase “o inferno são os outros” de Sartre?

A peça é uma releitura e adaptação do texto de Sartre, que conta a trajetória de 3 pessoas que são condenadas a viverem juntas no inferno, são elas:  

Garcin (José Geraldo Junior),  um homem letrado, com pretensões heróicas, mas covarde. Seu maior tormento é ter desvendada sua condição de covardia, que não pode ser mudada. 

Estelle (Sabrina Greve), uma fútil burguesa que ascendeu socialmente através do casamento, mas em nome de seu conforto, assassinou o próprio filho. Tenta redimir-se atribuindo sua culpa ao destino. 

Inês (Chris Couto) é uma funcionária dos correios. Seduziu a mulher de um amigo provocando um verdadeiro desastre na vida dos três, mas admite suas culpas sem delegar responsabilidades. Ela acha que compreende os motivos de estar no inferno, pois se julga sádica e acredita que o ódio a alimenta. 

Um quarto personagem, o Criado (Ando Camargo) é o funcionário do inferno responsável por trazer cada um dos indivíduos à sala.

A peça estreou em 12 de julho no SESC Santo André e agora excursiona em Campinas/SP. Os ingressos têm preço normal de R$ 60,00 e podem ser adquiridos via Ingresso Rápido ou na bilheteria do teatro.

"No Exit - Entre Quatro Paredes" fica em cartaz dias 16, 17 e 18 de agosto, nos horários de 21:00h na sexta e no sábado e as 19:00h no domingo.

Segundo Caco Ciocler, o texto de Sartre é conhecido e já teve muitas montagens mundo a fora, exatamente em função do tema e da sua complexidade, revelando a cada ensaio questões sempre muito atuais.

“Sartre colocou esses personagens juntos no inferno não apenas para pagarem por seus crimes e enxergarem-se através do olhar do ‘outro’. Num nível mais profundo, foi para descobrirem que a ausência do ‘outro’ como espelho, como retorno de nossas próprias afirmações, é que é o verdadeiro inferno. E é nesse contexto que a ação da peça acontece”, comenta Caco Ciocler.

Complementa, ainda, “Sem um ‘outro’, que devolva para cada um deles suas imagens e a crença em suas identidades, eles correm numa tentativa desesperada de aplacar suas angústias, nem que para isso tenham que reproduzir ali, no inferno, e para toda a eternidade seus algozes imaginários”.

Sem a necessidade de se alimentar e sem a possibilidade de dormir, por toda a eternidade, esses estranhos estão confinados em um ambiente sem espelhos, apenas com poltronas e objetos aparentemente inúteis. Perplexos com um inferno sem castigos físicos e com ares de um salão clássico, vão descobrir que estão condenados a penas muito mais terríveis do que sequer poderiam imaginar.

É melhor um carrasco do que a angústia do vazio, onde o Eu não exista, onde o Eu não seja reconhecido! Quem vai conseguir sair desse inferno?

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