terça-feira, 9 de abril de 2013

A Imigração Haitiana Desenfreada Continua


Em 16/01/12 publicamos o texto abaixo sobre a imigração haitiana e como o problema apenas se agravou com o decurso do tempo, trazemos novamente o assunto.

Há algum tempo as manchetes das principais mídias trazem essa problemática, chegando ao extremo do governador do Acre na data de hoje, 09/04/13, decretar situação de emergência social para os município de Epitaciolândia e Brasiléia .

Esses municípios não têm condição de continuar recebendo o fluxo imigratório, é preciso que uma força tarefa entre em ação o mais rápido possível.

É muito fácil entrar no Brasil pelas fronteiras do Peru e Equador, criando não apenas rotas imigratórias do Haiti, mas também rotas de tráfico de pessoas e drogas vindas de outras partes do mundo.

Relembrando o texto de 16/01/12: O Haiti É Aqui...

"O Haiti é aqui, ou quase isso. A imprensa divulgou recentemente o aumento de haitianos que migraram para o Brasil, deixando para trás um cenário de assolação pós terremoto.

Se vão dois anos desde o terremoto que assolou o Haiti, muito se faz em termos de ajuda humanitária e ainda continua sendo feito, mas nesse caso o muito será sempre pouco.

O Haiti é a parte ocidental da ilha composta também pela República Dominicana, que sofreu com a colonização espanhola inicialmente, tendo sua população indígena dizimada em poucos anos.

Depois de aproximadamente 2 séculos de colonização espanhola, por meio do Tratado de Ryswick, Espanha cedeu à França a parte ocidental da ilha, que recebeu o nome de Saint Domingue, atual Haiti.

A base da economia de Saint Domingue foi o cultivo de cana de açúcar por escravos negros vindos da África. Com os ventos da Revolução Francesa, os escravos se rebelaram e muito sangue foi derramado até que em 1820 houve a unificação do sul e norte sob o governo já independente de Jean-Pierre Boyer.


Saint Domingue conquistou sua independência em 01/01/1804, passando a adotar o nome de Haiti, sendo a primeira república negra das Américas e o primeiro país independente da América latina.

Pode não parecer muito olhando de onde estamos, mas o percurso político percorrido pelo Haiti foi longo, sangrento e influenciou muitos países vizinhos.

Se quiser conhecer um pouco mais da rica história dessa ilha, de seu povo, religião, etc, fica a indicação da leitura do livro Ilha Sob o Mar, de Isabel Allende, uma excelente leitura.

Bom, mas voltando ao assunto, o Haiti viveu também a podridão da ditadura, quando em 1957 foi eleito o presidente “Papa Doc” Duvalier, instalando no país um rigoroso regime ditatorial, oprimindo opositores, inclusive a igreja católica.

Com a morte de Papa Doc em 1971, assumiu a presidência seu filho Baby Doc, dando continuidade ao regime ditatorial, até que em 1986, após os inúmeros protestos populares, ele fugiu para a França.

O Haiti passou a ser governado por uma junta chefiada pelo general Henri Namphy, em 1990 foi eleito o esquerdista Jean- Bertrand Aristide, mas não durou muito a democracia no país.

Um golpe militar depôs Aristide, reinstalando-se o regime ditatorial no país, que sofreu com as sanções econômicas da ONU.

Apenas em 1994 Aristide retorna à presidência do Haiti, mas os problemas não acabaram, a situação econômica do país, a insatisfação popular e o cenário mundial foram os motivos de Aristide abandonar o Haiti, refugiando-se na África desde fevereiro de 2004.

Historinha triste a do Haiti, que vive ainda hoje sob intervenção da ONU, sobrevivendo de ajuda humanitária, 60% da população está desempregada, o país não foi reconstruído após o terremoto de 2010 e a maioria da população sobrevive com apenas US$ 2,00 por dia.

Com esse cenário caótico fica fácil entender quais os motivos migratórios do Haiti.

O Brasil é um país em desenvolvimento, relativamente próximo do Haiti, que conquistou a simpatia do povo haitiano com a ajuda dada pelo exército durante tanto tempo em seu território, sendo a escolha certa de quem migra para buscar nova vida.

A corrente migratória do Haiti criou a figura do coiote, aquele carinha tão conhecido entre os Mexicanos e Cubanos que buscam entrar ilegalmente nos EUA.

Imagina só a cena de coiote para trazer haitiano para o Brasil?! Pois é, mas é um serviço caro, perigoso e violento, que vende a ilusão de uma vida nova e bem sucedida no Brasil.

Os abusos sofridos pelos haitianos que pagam pelos coiotes são inúmeros e alarmantes.

Os estados do Acre e do Amazonas são os principais receptores dessa massa migratória, que busca um fio de esperança para uma vida mais digna.

Pena que os problemas apenas mudam de país, já que as cidades que fazem fronteira com o Peru, rota migratória dos haitianos, não estão preparadas nem mesmo para propiciar aos seus cidadãos emprego e vida digna, como garantido na Constituição.

Muitos encontram-se em situações muito piores das que viviam no Haiti, passando fome, sem ter onde morar, dividindo com dezenas quartos apertados de pensões cedidas pelo poder público, dormindo amontoados como em navios negreiros.

É assustadora a situação desses haitianos, que vivem sem um fio de esperança, decepcionados, com suas expectativas frustradas, vivendo à margem da sociedade, sem documentação de permanência, enfim, marginalizados.

Com o forte aumento da chegada de haitianos no Brasil, será exigido visto de entrada para os que chegarem ao território brasileiro, de forma que deverão obter o visto de entrada no consulado brasileiro em Porto Príncipe, capital do Haiti, antes de embarcarem para o Brasil.

Falta tudo a essa gente que foge da sua terra natal, deixando família, vínculos, amigos, lembranças... em busca de melhores condições de vida.

Os esforços no sentido de legalizar os que já estão no Brasil são grandes, mas não são suficientes para prover as condições mínimas a que merece um ser humano.

Os que conseguem ser regularizados recebem CPF, carteira de trabalho e transporte para as capitais do Acre e Amazônas.

O caminho não termina aí, pois o sonho é conseguir emprego em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, capitais já abarrotadas de imigrantes de outros estados e países, mas ainda é uma ponta de esperança para essa gente sofrida.

Os haitianos são um povo alegre pela própria natureza, fervorosos em sua fé, que inicialmente era no voduísmo, mas com a colonização espanhola e francesa veio o cristianismo e mais recentemente o protestantismo.

Causou-me espanto ver imagens da situação degradante que a maioria dos haitianos recém chegados ao Brasil está passando, é muito abaixo da linha da pobreza, sem condições mínimas de higiene e alimentação.

A entidade Médicos Sem Fronteiras faz um trabalho maravilhoso nas cidades onde eles chegam ao Brasil, entregam um kit de higiene pessoal, ensinam o mínimo de saúde e higiene, mas por mais que isso seja muito, não é tudo.

Os haitianos podem se tornar um problema de saúde e segurança pública, pois se não houver absorção desse contingente no mercado de trabalho, serão um alvo fácil para a prostituição, tráfico de drogas e violência.

Uma triste realidade que por enquanto ainda apenas vemos pela televisão, pelos jornais, mas em breve poderá estar muito mais próximo."

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