segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Criatividade Resgatando a Dignidade


Criatividade é tudo nessa vida, descobri por acaso o trabalho da marca mineira Doisélles, da estilista Raquell Guimarães, que trabalha apenas com tricô e crochê, nas mais diferentes texturas e composições.

Se quiser conhecer cum pouco mais da marca, clique aqui.

O que mais me interessou foi a parceria entre o Estado e a iniciativa privada, que culminou com o Projeto Flor de Lótus, responsável pela formação de mão-de-obra especializada de presos da penitenciária mineira Ariosvaldo  Campos Pires, em Juiz de Fora.

Simples assim, a estilista e empresária precisava de mão-de-obra para confeccionar suas peças e encontrou na parceria a solução para seu problema, além de contribuir com a ressocialização dos presos daquela penitenciária.

A Lei de Execuções Penais (LEP 7.210/84) regra o trabalho do condenado e preso no Brasil, que tem caráter educativo e produtivo, mas na prática esse trabalho é responsável por muito mais do que educar e produzir, tem o condão de resgatar a dignidade humana esquecida nos presídios e penitenciárias Brasil a fora.

Quem não se recorda do Ministro da Justiça recentemente declarar que preferia morrer a ficar preso no Brasil, não é difícil imaginar a situação degradante que o preso em regime fechado vive nesse país.

Não caiamos na demagogia barata de dizer que criminoso e bandido merecem passar por essas condições, porque generalizar é um ato de extrema falta de inteligência, no mínimo, além do que, todo ser humano merece gozar de condições mínimas de salubridade.

Bom, mas o assunto não é esse, mas sim como a criatividade é importante em momentos de adversidade.

A estilista Raquell Guimarães não conseguia atender aos pedidos recebidos e crescer com sua marca sem ter mão-de-obra que a ajudasse na confecção de suas peças de tricô e crochê, afinal de contas, ser profissional é mais do que reunir as amigas e tias em torno da TV para tricotar.

Assim como não é fácil encontrar mão-de-obra especializada para contratar e começar a produzir, então o que fazer?



Uma parceria feita com a Secretaria de Defesa Social do Estado de Minas Gerais permitiu que a marca e sua estilista encontrassem pessoas dispostas a aprender e trabalhar, a maior surpresa provavelmente foi encontrar isso em uma penitenciária masculina.

É isso aí, a mão-de-obra contratada com a parceria é masculina, homens, marmanjos pegando em linhas, lãs e agulhas, que tricotam e fazem crochê com precisão e talento.

Todos ganham com a iniciativa, a empresária que abastece sua marca com peças, em linha de produção contínua, os presos que, além de receberem remuneração financeira, recebem uma redução da pena a ser cumprida na medida em que a cada 3 dias trabalhados tem 1 dia de redução de pena.

O engajamento dos presos é muito bom, o que se verifica dos números, em média são produzidas 5 mil peças por coleção, que na sua maioria tem como destino o mercado externo.

O “turn over”, se é que assim se pode dizer, é baixo e há presos que após cumprirem sua pena continuam trabalhando com a marca.

O caso mais expressivo é de Célio Tavares, ele foi preso por roubo, participou do Projeto Flor de Lótus, aprendeu a tricotar e fazer crochê, cumpre sua pena não mais em regime fechado, mas semiaberto e atualmente divide a sala de aula universitária com a coordenação financeira da Doisélles.

Iniciativas como essa podem fazer muito, contribuindo para a ressocialização de presos, formação de mão-de-obra especializada nas mais diferentes áreas, criando vínculos da iniciativa privada com o Estado, vínculos esses que não são de corrupção como estamos, infelizmente, acostumados a acompanhar pelos noticiários, etc.

Uma boa inspiração para começarmos a semana.

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