terça-feira, 24 de abril de 2012

Um tempo que não volta mais, essa é a frase que me ocorreu ao ver a foto que está circulando na internet e nas redes sociais.



Sou de uma geração em que as crianças brincavam na rua, corriam livremente, andavam de bicicleta, compartilhavam os brinquedos, porque nem todos tinham, subíamos em árvores nos nossos quintais e no dos outros, tomávamos chuva, brincávamos na enxurrada, jogávamos bolinhas de gude no canteiro da avenida, que naquela época já era movimentada.

Nada de mundo digital, computador, internet, celular e controle absoluto sobre onde ir, com quem ir, a que horas voltar.

O videogame estava nascendo no Brasil, jogar River Ride era um luxo para poucos, nos revezávamos na casa do amigo que tinha um.

Fazer bolinho de barro era a diversão preferida das meninas, que simulavam suas casinhas, pensavam na logística da cozinha e tudo mais,

Ninguém tinha medo de ficar doente, lembro-me que quando "peguei" catapora na escola a criançada da vizinhança se reuniu na sala de casa, as mães queriam logo que seus filhos “pegassem” catapora para eliminar mais uma doença da listinha das perigosas na vida adulta.

Com a rubéola foi a mesma coisa, minha mãe me mandou uns dias para a casa da minha tia, pois meu primo estava com rubéola, era bom que eu já “pegasse” logo e tudo resolvido, não resolveu, a saúde era de ferro e nada de me contagiar.

O dia do aniversário era esperado, se pensava na festinha caseira, nos docinhos que teriam, nos amiguinhos em casa para a correria no jardim, os presentes, brinquedos e tudo mais.

Hoje não se tem mais a expectativa, a espera, tudo é muito rápido, a internet e a globalização mudaram a infância.

Sabonete bactericida então era algo impensável, para que isso? Criança tinha que brincar, se sujar, ficar doente era parte da infância sem muitas preocupações.

Brigas na escola, piadinha com os colegas, apelidos dos mais constrangedores possíveis não eram bullying, ninguém ficava traumatizado, acertávamos as coisas ali mesmo, nada de pais se metendo.

Obesidade na infância então era uma raridade, a alimentação era bem completa, nada de excesso de bolachas, balas, refrigerantes, doces e lanches, a vida era mais simples.

Hoje com o mundo digital globalizado as pessoas vivem menos, o nível de stress aumentou muito, as doenças cardiovasculares são uma constante, as degenerativas idem.

Ninguém morreu por não ter celular, não conseguir viver conectado full time, não ter ser perfil com 500 amigos nas redes sociais.

As crianças e adolescentes de hoje vivem com medo de transitarem nas ruas sozinhos, passeio em grupo não é ir ao parque, ao bosque, andar de bicicleta, mas serem levadas ao shopping.

Não sei qual o impacto que isso terá para essas gerações que não viveram a infância em sua plenitude, o tempo dirá, mas lamento que não tenham experimentado tanta coisa.

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