quinta-feira, 15 de março de 2012

"No dia seguinte ninguém morreu"

Com irreverências estão noticiando a medida anuncia pelo prefeito italiano Giulio Cesare Fava, ''proibido para os moradores ir além das fronteiras da vida terrestre e passar para o além”, para os brasileiros a medida provocativa do prefeito da cidade Falciano del Massico lembra Odorico Paraguaçu às avessas.

Já os mais envolvidos no mundo da literatura vão lembrar de José Saramago, autor português ganhador do Nobel de Literatura no ano de 1998, quando escreveu em seu livro As Intermitências da Morte a frase inaugural "No dia seguinte ninguém morreu".

Saramago abordou com a inteligência e sagacidade necessárias o assunto da morte e da sua suspensão por prazo indeterminado, provocando o caus pelos mais diferentes motivos em seu país imaginário.

Tanto para quem viu Odorico Paraguaçu quanto para quem leu Saramago a medida italiana soa muito mais provocativa do que sensaciolanista.

Enfim, não deixa de ser engraçado em tempos de mundo globalizado, redes socais, etc, uma pequena cidade ter um problema com falta de espaço físico em seu cemitério, ao ponto do prefeito tomar uma medida desse porte.

Segundo o prefeito, a problemática existe em função da emancipação da cidade em 1964 do município vizinho Carinola, que mesmo após a emancipação continua administrando o cemitério que ficou com a outra cidade.

Com isso é possível perceber que vontade política é igual no mundo todo, porque vamos combinar que, parafraseando mais um magnífico da literatura, Gabriel Garcia Marquez, “Crônica de Uma Morte Anunciada”, com o perdão do trocadilho.

Desde 1964 é sabido que teriam problema de espaço no cemitério e foi feito o que desde então?

De repente se Odorico Paraguaçu fosse o prefeito de lá desde então, esse problema já teria sido resolvido.

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