quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Vai Para o Trono ou Não Vai?!

Impressionante como vivemos em um mundo com muitas diferenças culturais, sociais, educacionais, econômicas e a lista continua.


Li recentemente uma matéria em que se noticia a coragem e a atitude de uma indiana reinvindicando por melhores condições de saneamento básico em casa.


A mulher recém casada deixou o lar porque a casa não possuía sistema de saneamento com a presença de um vaso sanitário.


Quando digo que é recém casada, acreditem, pois dois dias após as núpcias a mulher tomou a decisão corajosa de deixar a casa, forçando, assim, o marido a providenciar a construção de um vaso sanitário para que ela retornasse ao lar.


Parece uma coisa banal vaso sanitário, mas não é bem assim, quem tem a oportunidade de fazer viagens internacionais conhece a realidade nada “simpática” dos banheiros mundo a fora.


Em muitos países europeus, ditos de primeiro mundo, os banheiros públicos e domésticos não possuem vaso sanitário no formato que estamos habituados no Brasil, são apenas buracos no chão.


Ainda assim, permitem ao usuário, bem ou mal, dispõem de um sistema de coleta de dejetos, mas nem isso a indiana possuía em sua nova casa.


O marido foi então em busca de trazer sua mulher de volta, construiu um vaso sanitário em casa.


Na Índia o problema de saneamento básico é muito pior do que se imagina, a prática nas áreas rurais e mais pobres é defecar nas ruas, é isso mesmo!


O problema de saneamento básico é tão grave que o estado de Chhattisgarh promulgou legislação obrigando os detentores de cargos eletivos a construírem em suas residências vasos sanitários no prazo de até um ano após a eleição, sob pena de serem afastados de seus cargos.


Há uma campanha para a erradicação da prática de defecar ao ar livre, intitulada Saneamento para Todos. Faz parte dessa campanha, ainda, a distribuição de verbas especiais para a construção de vasos sanitários em residências.


Daí percebe-se a gravidade do problema enfrentado pela Índia, antes que você se pergunte como se faz para conviver com fezes humanas nas ruas e áreas urbanas, há sempre alguém em situação pior do que a do sujeito obrigado a “obrar” na rua, é a situação dos de castas inferiores, que são responsáveis pela coleta das cácas humanas.


A gente aqui muitas vezes reclamando das campanhas para coleta de cácas dos cães em áreas públicas, mas mesmo assim começa a ser prática dos donos de cães andarem com saquinhos para a coletar o cocozinho básico dos cachorrinhos.


A desigualdade é marcante, ou melhor, é gritante, a Índia um país que desperta tanta curiosidade, que possui uma culinária picante, colorido por suas indumentárias e ainda vive essa desigualdade!!!


Nesse Carnaval quando você sentir aquele cheirinho de urina nas ruas e outras áreas públicas dos principais roteiros de desfile e blocos, não reclame tanto, poderia ser bem pior!!!


Ah, a indiana porreta e corajosa ganhou da ONG Sulabh International a recompensa de US$ 10,000.00 por sua atitude firme em forçar o marido a instalar um vaso sanitário em casa.

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