sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Superação

Sempre me surpreendo com as histórias que ouço de superação, muitas delas a pessoa nem imagina que tenha se superado, mas são histórias que nos fazem pensar.

Dia desses eu estava em um estabelecimento comercial e fui muito bem atendida, conversando com a moça ela acabou contando a história da sua vida em poucos minutos.

Uma superação e tanta.

Nascida em uma família no interior do estado de Pernambuco, criada por uma mãe autoritária, sofreu maus tratos, foi queimada, largada para dormir na beira da estrada, sofreu surras fortes e coisas do tipo.

Casou-se aos 15 anos com o primo, que foi escolhido pela mãe e pelo tio para ser o marido da irmã, que ela, digamos assim, roubou da irmã como única alternativa para sair de casa e escapar das garras da mãe.

Pensando em ter um vida nova e plena, trocou apenas de opressor, passando o marido a mandar em sua vida.

Viveu por mais de 18 anos sob o jugo do marido, extremista religioso, que a impedia de usar calças comprida, fazer depilação, cuidar das sobrancelhas, pintar as unhas, etc, etc, etc.

Teve 4 belos filhos, que compartilharam a opressão com a mãe, até que um belo dia veio o grito de independência.

Dona de reumatismo no sangue, já sofreu 3 intervenções cirúrgicas no coração, tendo que fazer mais uma em breve, já que tem artérias e válvula entupidas.

Depois da separação veio a liberdade de escolha, o exercício pleno do livre arbítrio, escolheu erguer a cabeça e viver.

Conquistou a compra da casa própria, do carro, da moto, tudo mantido com emprego em estabelecimento comercial como atendente.

Da obrigação de ser cristã nasceu a escolha de ser cristã e exercer sua religiosidade plenamente e não apenas de corpo presente nas celebrações.

De cabelo pintado, unhas feitas, sobrancelhas cuidadas, piercing no umbigo, na língua e em outros lugares mais, uma mulher mãe de 4 filhos, realizada por suas escolhas e feliz com a vida me disse o seguinte: “se soubesse que viver sozinha era tão bom assim teria saído da casa da minha mãe sozinha, não tinha casão nunca, homem só atrapalha a vida”.

Vida dura, motivos para ser triste e infeliz, mas uma pessoa alegre, de bom humor e contagiante pelo seu entusiasmo pela vida.

Bom conhecer pessoas assim, me faz refletir sobre a resignação.

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