quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Burocracia Weberiana versus Sabedoria Milenar

Como é legal ter amigos cultos, daqueles que quando você lê o texto abaixo se sente importante porque o cara é seu amigo e agora colaborador, pois é... esse blog modesto, com cara de clube da Luluzinha, com intenção de compartilhar assuntos corriqueiros, angústias, dicas, etc.  com uma pitada de diversão ganha um cara desses....

Nada como trazer uma pitada de cultura temperado com sarcasmo, originalidade e inteligência.

Bem-vindo Pai do Dr. Átila!


"Da chegada de Dom João e a família real à terra brasilis ao final da república velha é comum nos referirmos à Burocracia Estatal como “o ideal da vagabundagem paga”. Conseqüência de um Estado Patrimonialista fundado no apadrinhamento.


Com o fim da República Velha, esta burocracia inicia um processo de profissionalização, mantendo-se em continuo flerte com a vagabundagem, esta promiscua relação, encontra seu apogeu em 1964, quando setores da burocracia (militares) se dão ao luxo de excluir a participação dos cidadãos do controle do Estado. Numa ditadura em que torna-se pré-requisito para ser presidente, ser Servidor Público (General).


A queda do governo de monopólio burocrático, numa onda democratizante, leva-nos ao apogeu da Burocracia Profissional, com a Constituição Cidadã de 1988 estabelecendo o concurso público como única forma de ingresso ao Serviço Público. Porém, paralelamente a isso o antigo “ideal da vagabundagem paga” continuaria existindo, através da criação e manutenção de cargos em comissão, numa proporção crescente, de forma a manter-se em número muito superior ao necessário à gestão política da máquina, de forma a permitir a acomodação de apadrinhados políticos.


Do choque dos Gestores “Comissionados” despreparados com a Burocracia Profissional “Concursada”, esta por sua vez preparada, porém desmotivada, cria-se uma administração inerte. Agora podemos generalizar a vagabundagem para apadrinhados e para concursados.


O apadrinhado porém, passa a se dedicar ao trabalho buscando criar formas de potencializar a permanência de seu padrinho no poder, buscando desta forma perpetuar-se em seu cargo em comissão. Agora será a inércia do Servidor de carreira fruto exclusivo da desmotivação? A meu ver a resposta é NÃO...


O Concurso Público consolida-se historicamente na China, durante a Dinastia Tang (618 a 907 d.C.) fortemente influenciado pelos ensinamentos Confucionistas, Sistema Filosófico Chinês que buscava fundamentalmente uma ordenação social única. Oras, se a burocracia profissional preparada é obrigada a submeter-se à apadrinhados despreparados, nada mais óbvio que subverta-se a ordem. Se o Confuncionismo prega a ordem, porque não buscar na corrente filosófica que “opõe-se” a ela o caminho.
A resistência da Burocracia Profissional se dará no campo do Taoísmo, corrente filosófica que se pode colocar (guardada as devidas proporções) como antítese do Confucionismo. Vejamos, então o capítulo 48 do Dao De Jing (Tao Te Ching ou Tao Te King), livro de Lao Tsu, responsável por lançar a base teórica do Taoísmo:




“Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,



Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.



E cada vez menos é feito



até se atingir a perfeita não-acção.



Quando nada é feito, nada fica por fazer.




Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.



E não interferindo.”


Desta forma pode-se, mesmo que por hipótese, definir que no momento em que o Apadrinhado (“Ideal da Vagabundagem Paga”) opta por agir energeticamente de forma a perpetuar seu cargo (através da manutenção do poder político de seu padrinho), ele subverte a ordem do sistema, como conseqüência, a Burocracia Profissional que tem sua gêneses em Confúcio, é impelida ao Tao, onde substitui a ação pela não-ação, invertendo o que seria a lógica do sistema. "

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