quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Outra Face do Excesso de Peso em Mulheres

Não é de hoje que se discutem os problemas que o excesso de peso provoca nas pessoas, mas alguns estudos diridigos às mulheres mostra uma outra face, que muitas gordinhas nem imaginam....

Recente pesquisa feita por franceses e publicada na edição de maio do Britsh Medical Journal mostra que além das obesas apresentarem piores indicadores quando comparados aos das mulheres com peso normal no que diz respeito à saúde cardíaca e metabólica,  a vida sexual das gordinhas também é prejudicada pelo fator excesso de peso.

Um dos resultados apontou que entre as gordinhas que engravidam, 43,5% não haviam desejado ou planejado a gestação. Já esse percentual cai para 13,3% entre as mulheres com peso em acordo com a altura, uma diferença comparativa de 3,2 vezes. É muita coisa!

Outro dado assutador que apresentou um abismo entre os dois grupos pesquisados é a incidência de abortos realizados nos últimos cinco anos: 22.4% das obesas declararam já ter interrompido a gestação no período, já a estatística cai para 6,1% no grupo com peso normal.

Especialistas têm opiniões divididas sobre os motivos que explicariam a maior vulnerabilidade das obesas à gravidez não planejada. Há quem afirme que a mulher obesa sofra muito mais preconceito do que as mulheres que estão com o peso dentro da normalidade, desta forma as gordinhas se sentem menos desejadas, provocando um estado depressivo mais agressivo, gerando, como consequência, um menor poder de negociação pelo uso da camisinha e outros métodos contraconceptivos.

Somando-se à baixa auto estima, a incidência de problemas reprodutivos, como ovários policísticos, irregularidades no período menstrual, etc.  podem gerar uma intolerância do organismo pelo uso de algumas pílulas, reduzindo-se, assim, a quantidade de opções de pílulas anticoncepcionais.

Não é raro encontrar médicos com dificuldades em acertar a prescrição de pílulas para as gordinhas, tendo em vista o aparecimento de problemas metabólicos que impedem o seu uso.

Outro fator que gera dificuldades na prescrição de anticoncepcionais é o diabetes, doença muito comum em pessoas com excesso de peso, por isso desde abril deste ano, os ginecologistas brasileiros passaram a receber uma diretriz da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) de não recomendar o uso de pílulas anticoncepcionais para pacientes com diabetes, quando a doença estiver descontrolada. Controlar os níveis glicêmicos quando há excesso de peso, afirmam os endocrinologistas, é ainda mais difícil.

A pesquisa francesa mostrou também que, além de todas as dificuldades acima, as obesas que usam anticoncepcionais representa 58%, enquanto no grupo das mulheres magras o percentual sobe para 78,7%.  As gordinhas também apresentaram quase cinco vezes mais queixas sobre problemas sexuais, desde falta de libido até rejeição.


Os especialistas advertem que não há políticas públicas na área da saúde sexual voltada para os obesos de um modo geral, especialmente no caso da mulheres a situação é agravada pela invisibilidade que o assunto ganha dentro das clínicas e cosultórios médicos, já que ainda é considerada por muitas como um assunto tabu, desta forma as discussões que poderiam ventilar alternativas e soluções não acontecem e o silêncio acaba consumindo as gordinhas.

Os dados divulgados nesta pesquisa e em tantas outras servem de alerta sobre o conjunto de problemas que ameaça a saúde sexual das gordinhas e a própria vida desse grupo, já que houve um aumento expressivo dos casos de elevado Índice de Massa Corpórea (IMC) no sexo feminino, que podem ser verificados em gráficos não apenas de maior incidência de gravidez indesejada ou disfunção sexual, como também uma alta de mortalidade materna e infantil. Isso é muito mais que alarmante!

Em 2006, pediatras e ginecologistas do Centre of Maternal and Child Enquiries, da Inglaterra, publicaram um estudo chamado Investigação Confidencial sobre Morte de Mães. Dos 295 casos de mortes maternas investigados, 35% das gestantes estavam acima do peso, sendo 15% delas obesas mórbidas, o maior fator de risco detectado.

Os dados da Investigação inglesa estão sendo atualizados desde o ano passado, mas os resultados ficarão prontos apenas em  2011, mas não há dúvidas para os organizadores de que as obesas continuam no topo do ranking das preocupações, tornando-se um problema de saúde pública.

Já no Brasil também não seria diferente e o mesmo problema foi identificado. Uma análise do Ministério da Saúde feita em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz calculou que entre 1990 e 2007 dobrou o número de crianças menores de 1 ano que adoeceram de problemas negligenciados durante o período que ainda estavam em gestação. Hipertensão, diabetes e eclampsia são só algumas delas, todas mais comuns em mulheres obesas e gestantes.


As pesquisas continuarão, mas é igualmente importante que nós mulheres tomemos consciência dos fatores de risco que a obesidade representa para a nossa vida. Outro importante passo é sair do plano da consciência para o da ação, pois viver é verbo e não substantivo ou adjetivo, então temos que conjugar.

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