terça-feira, 22 de junho de 2010

O Conforto das Verdades

O mundo globalizado é realmente fascinante, nos permite compartilhar informações, sentimentos, opiniões, etc. Recebi de uma amiga querida o texto abaixo, que desconheço a autoria, se alguém souber quem o escreveu, por favor me avise.

O texto é realmente muito bom, toca em pontos nevralgícos, que deveriam nos fazer refletir sobre como somos, como agimos, que comportamento adotamos em nossas vidas privadas e corporativas, enfim...é um convite inteligente à reflexão, pelo menos foi pra mim.

Espero que você aproveite a leitura e também reflita!

"Ignorância não é desconhecer algo, é cristalizar um conceito

Como é agradável encontrar pessoas que não andam carregadas de certezas. Que às vezes franzem o cenho e dizem “eu não sei o que penso sobre isso, preciso refletir mais”. Com acesso instantâneo a qualquer informação, nos achamos especialistas em quase todos os assuntos. O que não falta no mundo é gente com opinião. E que pontifica verdades como se tivesse acabado de concluir um doutorado sobre a vida.

Sinto-me muito mais à vontade ao lado de quem admite que somos cheios de contradições, que o nosso saber é sempre provisório e vai mudando conforme as circunstâncias e os interesses pessoais. Ignorância não é desconhecer algo. É cristalizar um conceito que em certa época nos pareceu interessante e repeti-lo até a morte. O seu oposto, a sabedoria, leva em conta a sucessão de relacionamentos, a troca de experiências, a forma volátil como percebemos o mundo. O melhor aliado para isso chama-se tempo. E uma predisposição sincera para mudar, se for o caso.

Há um embrutecimento no modo de ver as coisas toda vez que nos sentamos confortavelmente sobre as nossas verdades. Não questioná-las é estar fadado a se converter numa criatura monolítica, previsível. Surpreender é uma boa forma de seduzir o outro. Claro, ninguém gosta de estar ao lado de uma gangorra de opiniões. Manter razoável coerência em nosso pensar é sinal de maturidade psíquica. Mas é recomendável fazer uma revisão periódica nos 10 mandamentos que carregamos orgulhosamente debaixo do braço.

Para tanto, conta a nossa flexibilidade em admitir que caminhamos mais ao lado do erro do que do acerto. Somos criaturas que tateiam, que reagem por impulso, que se deixam dominar por emoções. Nem sempre a razão tem algum papel a desempenhar. Orgulhar-se de uma ideia só depois de muito ponderar, cientes de que o nosso vizinho tem mil motivos para acreditar exatamente no contrário.

Já não dispomos da desculpa do isolamento. E, portanto, de não sabermos o que acontece do lado de lá. Da mais remota comunidade na África a Nova York, tudo está à distância de um clic. Pais, colegas, amigos e cônjuges fornecem o material básico para não nos sentirmos tão perdidos. Cabe a cada um de nós um esforço básico para não repetir ad infinitum o manual que é só deles. No máximo, pode ser um empréstimo provisório.

Lucidez é sinônimo de interrogação, não de ponto final. O mundo está cheio de juízes proferindo sentenças. Não sejamos mais um. Existe sempre uma outra perspectiva. Sobre tudo, sobre todos. Não é bom se dar conta de que não vale a pena morrer por uma ideia? Manter a coerência é outra coisa. É perscrutar atentamente o que se passa quando dizemos uma frase como se estivéssemos no alto de um púlpito. É relativizar, pelo bem geral da humanidade. Ou você acha que algum dia Hitler, Mussolini ou Stalin (a lista é grande) tiveram alguma dúvida de que estavam salvando o mundo da escória, do lixo que eram todos os que não pensavam como eles? Estejamos certos de que nada é certo para sempre. Investigar-se é um bom exercício para transformar a soberba em humildade."

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